Malhação precisa mudar

1 ago 2010 Em: Blog


Esta temporada do seriado Malhação, da Rede Globo, será retirada do ar antes do prazo previsto devido aos baixíssimos índices de audiência. Nem Fiuk, que já era conhecido entre as adolescentes por meio de sua banda, a Hori, conseguiu levantar o Ibope da novela.

Há cerca de duas semanas recebi da assessoria de imprensa da emissora uma breve sinopse da nova temporada que, segundo eles, promete ser completamente diferente. Após ler o texto, sinceramente, não achei encontrei nada novo. É claro que será preciso aguardar a estreia, antes de se emitir uma opinião, porém, quero enumerar aqui alguns exemplos que, em minha opinião, provam porque, se continuar assim, a Malhação está fadada ao fim.

1. Os triângulos amorosos são extremamente bizarros porque os vilões tomam atitudes insanas, situações jamais vividas por adolescentes reais. Quando a Malhação deixou de ser academia e passou a ser colégio, os triângulos era muito mais sensatos.

2. As gírias e o estilo carioca de ser são cada vez mais evidentes na trama. Não acho isso um problema, desde que não se torne uma constância – e é o que vem ocorrendo há muitas temporadas.

3. Os adolescentes da história passam por situações completamente fora da realidade padrão. Antes, o que tornava o seriado interessante eram os dilemas e os problemas comuns a essa fase: primeira transa, amizades complicadas, decepções amorosas, aborto e, até mesmo, Aids. Óbvio que muitos desses temas são tratados hoje em dia, mas de um modo superficial, até mesmo que “obrigatório”.

4. Tentar imitar seriados e filmes americanos de sucesso, numa miscelânea sem sentido algum e fora do contexto brasileiro, não adianta em nada. Isso só torna os personagens “forçados” e afasta o telespectador-alvo, que não é ingênuo como parecem julgar ser.

5. Por último, parece claro que a Globo tem medo de ousar e acaba caindo sempre na mesma história sem graça de sempre. Não basta mudar os atores, ou escolher o vocalista carismático de uma banda para ser protagonista se o roteiro não mudar.

A resposta de @damzinho em vídeo

30 jul 2010 Em: Blog

Parece que o bate-papo via twitcam não foi suficiente para “limpar a imagem” de @damzinho. Por isso, para esclarecer de uma vez por todas a confusão de informações sobre o caso, ele gravou um vídeo (no banheiro de sua casa?) e publicou na internet, na própria segunda-feira, 26/7.

Não quero dar mais atenção a esse caso, afinal é o que esse garoto quer (como disse no post “O caso @damzinho e o sexting”), mesmo que incoscientemente. Porém, achei interessante mostrar aqui como ele está se relacionando com o “público” que “conquistou”. Tirem suas próprias conclusões…

O caso @damzinho e o sexting

28 jul 2010 Em: Blog

Na madrugada de segunda-feira, 26/7, rolou no Twitter, via twitcam, um caso que gerou polêmica na rede: um adolescente de 16 anos bolinava uma amiga de 14 anos para que milhares de usuários pudessem ver. Segundo informações do blog de Conceição Oliveira, 25 mil espectadores assistiram ao vivo às cenas do vídeo, cujas imagens e fotos geradas se espalharam rapidamente pela rede. O garoto em questão mantinha na rede social o perfil @damzinho e foi acusado de ser pedófilo por muitos que o assistiram.

Para resolver este pequeno engano, @damzinho não titubeou: apagou seu primeiro perfil, criou outro e, nele, ao lado da amiga bolinada, explicou (também via twitcam), que a garota estava “apenas” pagando uma aposta. Os dois estavam jogando Uno e ela perdeu, então, teve de se submeter a essa situação constrangedora.

Situação constrangedora para mim e para muitas outras pessoas. Não para o casalzinho teen. Para eles, não importa. Simples assim. Tudo o que grande parte dos adolescentes quer hoje é se tornar celebridade e não importa o preço que paguem por isso. Também não importa se é por 15 minutos, uma madrugada, um dia ou um mês. E as redes sociais, claro, são as ferramentas perfeitas para que atinjam este objetivo.

O caso @damzinho faz parte de um fenômeno que vem se disseminando ultimamente, o sexting. O termo origina-se da união de duas palavras em inglês: sex + texting (envio de mensagens) e representa o que muitos jovens vêm fazendo hoje em dia: usam celulares, câmeras, redes sociais, messengers, e-mails, etc, para produzir e enviar fotos e/ ou mensagens sensuais. O grande problema disso é que outras pessoas tenham acesso e passem a divulgar esses dados na rede – o que (sabe-se muito bem) não é difícil de acontecer.

Na Atrevida, costumamos sempre orientar as leitoras com relação aos perigos na rede e, ao mesmo tempo, falar das consequências da exposição sem critérios. Mas também é preciso que os pais fiquem de olho nisso. Fizemos uma enquete simples com nossas leitoras recentemente e descobrimos que, dentre as 233 adolescentes que responderam à pergunta “Você conversa sobre sexo com seus pais?”, 39% disseram que não. Ainda é um número grande, considerando-se que estamos em 2010! Porém, não basta dialogar apenas sobre sexo. Está cada vez mais claro que, para a “geração BBB”, é preciso falar também sobre o sexo relacionado à superexposição.

O lance é ser plural

25 jul 2010 Em: Blog

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A série Glee é sucesso absoluto nos Estados Unidos. Além de ter como foco principal os musicais (muito bem produzidos, por sinal) inseridos no contexto da história, seu grande mote é tratar das diferenças entre adolescentes numa escola pública dos Estados Unidos. Glee é o clube do coral do colégio e abriga os “excluídos”, como o deficiente físico, a negra gorda, o homossexual, a chata que quer ser famosa a qualquer custo, a líder de torcida que engravidou…

Você deve estar se perguntando: “Então, Glee não passa de mais um clichê e nada mais é do que aquelas produções-americanas-sobre-teenagers-populares?” Bem, não é exatamente isso. A série fala deste assunto, sim, mas dá uma nova roupagem aos clichês típicos dos colégios norte-americanos, além de tornar protagonistas os nerds e afins.

No Brasil, onde é exibida pelo canal de TV a cabo Fox, Glee ainda não é a série mais queridinha pelos adolescentes (pelo menos é o que venho notando). Talvez pelo fato de os personagens serem extremamente estereótipos de alunos norte-americanos. Mas isso me faz questionar o que há um bom tempo observo entre os adolescentes: essa história de tribos ficou muito evidente aqui no Brasil. E digo mais: os filmes enlatados têm muita influência sobre isso.

Os adolescentes buscam pela popularidade no colégio e querem fugir dos considerados nerds. Não canso de receber dúvidas de garotas que não “sabem como dizer não” ao pedido do nerd de querer ficar com ela. E elas completam: “Tenho medo do que minhas amigas vão pensar.” Ao mesmo tempo, percebo que a amizade em si não é mais um grande tabu. Circular dentre todas as tribos, ouvir quaisquer tipos de música e reunir a turma toda numa única balada já não é um grande dilema.

Resumindo: os adolescentes de hoje (principalmente os de classe A, B e, mais recentemente, C) são muito influenciados pela “estrutura social-escolar americana” que eles conhecem dos filmes e séries, porém reagem de modo diferente (a exemplo de Glee) quando se reúnem. A moda, agora, é passear entre todas as tribos, sem “deixar suas raízes”, e ser plural.

* Fizemos a matéria “De Sapo a Príncipe” na Atrevida e o feedback das leitoras foi muito interessante! Uma delas chegou a me mandar um e-mail agradecendo e dizendo que a revista a ajudou a tomar a decisão de ficar com um nerd – e não se arrepender!

Namoro virtual

13 jul 2010 Em: Blog

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Está sendo cada vez mais comum receber e-mails com dúvidas sobre namoros virtuais na redação da Atrevida. Todos os dias, chegam dezenas de perguntas sobre relacionamentos amorosos e sexo, mas nunca vi tantos questionamentos ligados a esse assunto.

Confesso que, no início, o tal namoro virtual me deixava com a sensação de que tudo era “de mentira”, de que os jovens não estavam mais tendo contatos sociais cara a cara e que isso dificultava sua vida entre pessoas.
Entrevistas com psicólogas e consultas a algumas pesquisas me fizeram entender melhor esse tipo de relacionamento dos adolescentes e acho interessante compartilhar aqui essas minhas descobertas.

Antes de tudo, é preciso entender que, atualmente, vive-se um outro mundo. A atual geração de jovens e adolescentes (de classes A, B e C em sua maioria) já nasceu sabendo usar computador e, por isso, para eles, esse tipo de relacionamento virtual, seja o de amizade ou amoroso, é algo que simplesmente faz parte da vida.
De acordo com alguns psicólogos, esses namoros ou ficadas on-line podem ser uma espécie de treino para a “vida real”, tanto no momento da aproximação (do famoso xaveco) quanto na hora do fora.

Além disso é preciso entender que as paqueras da escola, antes alimentadas pelo telefone (com fio), hoje são fomentadas pelos torpedos (até o momento de se chegar em casa), messenger, Twitter, Orkut e Facebook.

É claro que é nossa função orientar esses jovens com relação aos chamados fakes (na redação já vi muitos casos desses) e até mesmo de um possível cyberbullying. Por outro lado, é preciso entender que era digital realmente está mudando o comportamento das pessoas, a começar pelos jovens. E que isso não significa necessariamente um afastamento da realidade, é simplesmente uma forma diferente de vivenciar as primeiras experiências da adolescência.

O blog

Há mais de cinco anos, escrevo para adolescentes. Adoro falar com este público e entender o que se passa nas cabeças e nas vidas dos teens. Por isso, aqui, vou falar de tudo o que envolve este universo.


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