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A série Glee é sucesso absoluto nos Estados Unidos. Além de ter como foco principal os musicais (muito bem produzidos, por sinal) inseridos no contexto da história, seu grande mote é tratar das diferenças entre adolescentes numa escola pública dos Estados Unidos. Glee é o clube do coral do colégio e abriga os “excluídos”, como o deficiente físico, a negra gorda, o homossexual, a chata que quer ser famosa a qualquer custo, a líder de torcida que engravidou…

Você deve estar se perguntando: “Então, Glee não passa de mais um clichê e nada mais é do que aquelas produções-americanas-sobre-teenagers-populares?” Bem, não é exatamente isso. A série fala deste assunto, sim, mas dá uma nova roupagem aos clichês típicos dos colégios norte-americanos, além de tornar protagonistas os nerds e afins.

No Brasil, onde é exibida pelo canal de TV a cabo Fox, Glee ainda não é a série mais queridinha pelos adolescentes (pelo menos é o que venho notando). Talvez pelo fato de os personagens serem extremamente estereótipos de alunos norte-americanos. Mas isso me faz questionar o que há um bom tempo observo entre os adolescentes: essa história de tribos ficou muito evidente aqui no Brasil. E digo mais: os filmes enlatados têm muita influência sobre isso.

Os adolescentes buscam pela popularidade no colégio e querem fugir dos considerados nerds. Não canso de receber dúvidas de garotas que não “sabem como dizer não” ao pedido do nerd de querer ficar com ela. E elas completam: “Tenho medo do que minhas amigas vão pensar.” Ao mesmo tempo, percebo que a amizade em si não é mais um grande tabu. Circular dentre todas as tribos, ouvir quaisquer tipos de música e reunir a turma toda numa única balada já não é um grande dilema.

Resumindo: os adolescentes de hoje (principalmente os de classe A, B e, mais recentemente, C) são muito influenciados pela “estrutura social-escolar americana” que eles conhecem dos filmes e séries, porém reagem de modo diferente (a exemplo de Glee) quando se reúnem. A moda, agora, é passear entre todas as tribos, sem “deixar suas raízes”, e ser plural.

* Fizemos a matéria “De Sapo a Príncipe” na Atrevida e o feedback das leitoras foi muito interessante! Uma delas chegou a me mandar um e-mail agradecendo e dizendo que a revista a ajudou a tomar a decisão de ficar com um nerd – e não se arrepender!